Ruy de Carvalho

Ruy de Carvalho

Ruy de Carvalho
Ator

Ruy de Carvalho nasceu em Lisboa a 1 de março de 1927 e é um dos atores mais icónicos e respeitados de Portugal, com uma carreira que atravessa mais de oito décadas. Iniciou-se no teatro em 1943, de forma amadora, no Grupo da Mocidade Portuguesa, e estreou profissionalmente no Teatro D. Maria II em 1947 com a comédia “Rapazes de Hoje”, de Roger Ferdinand. Formado pelo Conservatório Nacional, destacou-se rapidamente pelo seu talento, versatilidade e dedicação à arte dramática.

Nos anos 50 e 60, Ruy de Carvalho integrou importantes companhias teatrais como a Rafael Oliveira, o Teatro Monumental e o Teatro Moderno de Lisboa, este último fundado por si em 1961, revelando autores inéditos em Portugal, mesmo em tempos de censura. Em 1963, dirigiu artisticamente o Teatro Experimental do Porto, onde assinou a sua única encenação profissional, com “Terra Firme” de Miguel Torga. Ao longo da carreira, trabalhou com grandes encenadores, incluindo Filipe La Féria, e interpretou autores clássicos e contemporâneos como Molière, Shakespeare, Tennessee Williams, Chekhov, Eça de Queiroz e Luiz Francisco Rebello.

Ruy de Carvalho também se destacou no cinema, participando em obras de referência do cinema português, desde “Eram Duzentos Irmãos” (1952) até projetos de Manoel de Oliveira, como “Non ou a Vã Glória de Mandar” (1990), “A Caixa” (1994) e “O Quinto Império – Ontem Como Hoje” (2004). Entre os seus filmes mais notáveis contam-se “Pássaros de Asas Cortadas” (1963), “Domingo à Tarde” (1965), “A Bicha de Sete Cabeças” (1978), “O Cerco” (1969) e “Cântico Final” (1974). Nos últimos anos, continuou ativo no cinema com títulos como “A Morte de Carlos Gardel” (2011) e “Refrigerantes e Canções de Amor” (2016).

Na televisão, Ruy de Carvalho marcou a história portuguesa ao participar na primeira peça exibida na RTP, “Monólogo do Vaqueiro” de Gil Vicente, em 1957, e na primeira telenovela nacional, “Vila Faia”, em 1982. O seu nome integra ainda elencos de séries como “Inspetor Max”, “O Sábio”, “Massa Fresca”, “Bem-Vindos a Beirais”, “Destinos Cruzados” e “Louco Amor”. Paralelamente, emprestou a sua voz a teatro radiofónico, dobragem e cinema.

Ao longo da sua carreira, Ruy de Carvalho recebeu inúmeros prémios e distinções, incluindo vários Prémios de Imprensa para Teatro e Cinema, Prémios da Crítica, Globo de Ouro de Personalidade do Ano (1998) e de Melhor Ator (1999), Medalha de Mérito Cultural (1990), Prémio Carreira (1998) e a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2012). Em 2017, foi homenageado com o Prémio Sophia de Mérito e Excelência, consolidando a sua posição como uma verdadeira lenda viva das artes performativas em Portugal.

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